ORÇAMENTO E PLANO REGIONAL PARA 2011
Senhor Presidente da Assembleia
Senhores Membros do Governo
Senhoras e Senhores Deputados
A Assembleia Legislativa da Madeira inicia hoje a discussão do Plano e Orçamento para o exercício de 2011 num clima de grande incerteza relativamente às perspectivas de crescimento económico, recessão e níveis de desemprego para 2011 e anos seguintes.
É hoje consensual que o mundo, a Europa, Portugal e a Região Autónoma da Madeira vivem uma das piores crises económicas e financeiras que há memória e de acordo com vários economistas, 2011 será ainda pior.
Esta crise provocada pela má gestão dos Governos, mas também em grande parte pela ganância da banca e das grandes imobiliárias tem atingido particularmente a classe média, média baixa e as famílias de fracos recursos.
Mas se é verdade que o País e a Região passam por grandes dificuldades económicas e financeiras, não é menos verdade que as famílias e as pequenas e médias empresas sentem, de forma dramática, os seus efeitos.
Há hoje famílias madeirenses que não conseguem pagar o crédito da sua habitação, bem como a educação dos seus filhos. Há hoje famílias madeirenses que têm no seu seio vários desempregados, há famílias que passam por enormes privações, nomeadamente ao nível da alimentação.
Por outro lado, as pequenas e médias empresas, geradoras do maior número de empregos na Região fazem um esforço gigantesco para não despedir funcionários, pagarem a segurança social e restantes impostos fiscais.
Mas será que este Orçamento e Plano foram elaborados a pensar nestas famílias e nestas empresas?
O MPT é de opinião que não. Só a título de exemplo, este Orçamento contempla uma verba de 711 milhões de euros em receita própria proveniente de impostos cobrados às famílias e às empresas.
Também aqui são as famílias e as empresas as mais sacrificadas. O Governo Regional opta, a exemplo do Governo da República, pela receita aumentando os impostos, em vez de reduzir na despesa corrente, particularmente a supérflua.
Por outro lado não é certo que a Região venha a obter uma receita externa na ordem dos 700 milhões de euros provenientes do Estado e da União Europeia como está previsto neste Orçamento.
Empolar as receitas tem como primeira consequência não dar prioridade ao que é verdadeiramente prioritário.
Refira-se que este é um Orçamento que aumenta, substancialmente, a dívida directa e indirecta da Região.
Importa ainda referir que uma fatia substancial das receitas deste Orçamento é para pagar juros da dívida acumulada e não para realizar obra social.
Num quadro de dificuldades económicas, sociais e financeiras como o que a Região vive, exigia-se, por parte do Governo, um Orçamento realista, com sensibilidade às reais dificuldades das famílias e das micro, pequenas e médias empresas.
É tempo de acabar com algumas fantasias como se continuasse-mos a viver num tempo de vacas gordas.
O MPT gostaria que este Orçamento contemplasse um conjunto de medidas no apoio aos idosos, pensionistas, desempregados, na acção social escolar, aos cidadãos portadores de deficiência, às pequenas e médias empresas, para a manutenção dos postos de trabalho, manutenção do IVA de 4% nos artigos de primeira necessidade de modo a diminuir o impacto das medidas restritivas do Orçamento de Estado, da responsabilidade do PS e do PSD, de José Sócrates e de Passos Coelho, com aplicação na Região.
O MPT gostaria ainda de ver neste Orçamento verbas destinadas ao início das obras do prometido novo hospital. Está em causa a qualidade dos serviços de saúde a prestar aos utentes que pagam os seus impostos. O MPT gostaria, por outro lado, de ver neste Orçamento verbas para a abertura de vagas no serviço regional de saúde, para médicos dentistas, psicólogos e técnicos de serviço social, reconhecidamente deficitários nos diversos serviços de saúde e segurança social da Região.
O MPT gostaria também inscrita verbas para a recuperação de Bairros Sociais da responsabilidade do Governo.
Senhor Presidente da Assembleia
Senhores Membros do Governo
Senhoras e Senhores Deputados
Nesta primeira intervenção, o MPT deixa aqui algumas das suas preocupações relativamente a este Plano e Orçamento que gostaria de ver discutido e contemplado aquando da discussão na especialidade.
Funchal, 14 de Dezembro de 2010
Roberto Vieira
Deputado do MPT-Madeira